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À Mestra com carinho

(10/10/2017)

Seu modo era austero, disciplinado, um olhar que cobria toda a sala de aula dividida literalmente entre meninos e meninas. Não havia balbúrdia nem brincadeiras durante suas aulas. Jamais faltou um só dia até que eu, estando quase que diuturnamente na sua residência, às escondidas, pus uma cadeira sobre a mesa da sala de jantar, alcancei um antigo relógio de pêndulo, e, com uma régua de madeira, atrasei em uma hora o relógio. Era por ele que ela regia todos os seus afazeres, do lar ao seu segundo lar–a escola.

Pontualmente, aos dez minutos exatos, antes que tocasse o sino de entrada às aulas, surgia Dona Isabel Feitosa à calçada de sua residência em direção ao Grupo Escolar Dr. Miguel Santa Cruz. Passos medidos, como se dominasse o tempo, adentrava na sua sala, onde havia dois quadros-negros com a inscrição no canto inferior direito (I.F.V.). Isabel Feitosa Ventura que ela mesma mandou assenta-los. Aguardávamos a mestra todos de pé, num silêncio respeitoso, até sua ordem para que pudéssemos sentar. Jamais tínhamos a oportunidade de ir ao recreio ao não ser que demonstrássemos conhecer as “lições” das matérias seguintes. Nem também o soar do sino avisando o término das aulas era indicativo para arrumarmos nossos livros pois ainda havia no quadro-negro menor, à direita da porta de saída, as famosas “minhas continhas”. Era um escrever, apagar, reescrever, e, nós ali, de lápis em punho a passar para o caderno uma saraivada de contas do mundo da matemática.

As lições eram tomadas de quatro em quatro alunos de ambos os sexos, um em cada canto do “birô” como chamávamos naquele tempo. A mestra, impassível, com uma régua na mão – não era mais os tempos da palmatória – mas havia uma substituta infalível para quem não lograsse bom êxito nas sabatinas; estava de prontidão para distribuir “reguadas” aos pupilos desatentos.

Com todo aquele rigor, ainda assim, angariava de nós crianças respeito e admiração, nenhum ressentimento pelos beliscões às vezes recebidos. Nos tempos atuais dir-se-ia que ela foi uma espécie de carrasco, ou algo parecido. Se o foi, para quem sentou nos bancos de sua sala, não saiu um adulto revoltado, traumatizado ou coisa que o valha. Ao contrário, só temos notícias de antigos alunos e alunas, agradecidos, saudosos, vencedores; homens e mulheres honrados. Educar mais do que ensinar foi seu anelo, seu mister ao qual foi devotada por vários lustros alicerçando os primeiros passos de muitos futuros cidadãos e cidadãs da nossa terra.

O recinto onde dona Isabel ministrava não apenas saberes escolares mas também saberes de vida distinguia-se das demais salas do Grupo Escolar Dr. Miguel, e o era por uma peculiaridade. Seus alunos eram como que suas crias os quais ela conduzia com zelo extremo, afanosa nos seus desvelos de uma espécie de segunda mãe.

Foi-se o tempo, foi-se a nossa querida Mestra dona Isabel lecionar junto aos anjos. Ficou a saudade, as lembranças, as amizades formadas desde então e o mais importante de tudo,corações vertidos em um agradecimento profundo pelas valiosas lições de vida que logramos herdar de sua sapiência.Nunca as esqueceremos. Assim, é justo dizer que: “O professor se liga à eternidade. Ele nunca sabe quando cessa a sua influência”. Ele nunca morre.

Monteiro , PB, 07 de outubro de 2017.
Lúcio Wellington Amador Batista
(ex-aluno de dona Isabel Feitosa.

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Possui atualmente : 1 comentário em À Mestra com carinho


  • Muito bem escrito todos os comentários sôbre Dona Isabel, e eu diria mais que eu e alguns alunos também tínhamos aula de reforço na residência dela. Esó queria destacar mais uma coisa que acontecia nas salas de aulas de anormal nos tempos de hoje que era se ajoelhar em alguns caroços de milho quande errava os deveres, porém não conheço nenhuma pessoa que ficou com traumas, e sim pessoas que aprenderam as únicas obrigações de crianças. Agradeço a Dona Isabel por tudo que fez por Monteiro, ensinamentos para toda a vida profissional