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DE MESTRE ESCOLA A PRESIDENTE

(03/06/2017)

Por Ramalho Leite

A oligarquia chefiada por Epitácio Pessoa na Paraíba consolidou-se a partir de sua expressiva vitoria em 1915, em pleito considerado o mais livre daqueles tempos, sob liderança eqüidistante de Castro Pinto (1912/1915). Este, indicado como candidato de conciliação entre as correntes situacionistas, não tinha, porém, vocação para a política partidária. Sua renúncia levou ao poder o primeiro vice-presidente Antonio Pessoa, irmão de Epitácio. A partir daí, os escolhidos para governar a Paraíba ou eram parentes ou de fidelidade testada ao chefe. Sólon de Lucena atendia aos dois critérios pois, além de primo, não fazia restrição a qualquer “ordem de Epitácio Pessoa”.

A sucessão de Camilo de Holanda encontraria Epitácio na chefia da nação. O partido a nível local era presidido pelo ex- governador e senador Venâncio Neiva que tinha outras preferências para suceder Camilo. Todavia, em reunião realizada no Palácio do Catete, Epitácio escolheria Solon de Lucena para Presidente da Paraíba, com o apoio, inclusive, do oposicionista Walfredo Leal. O prestigio do bananeirense com o Presidente da República foi revertido em benefícios para o estado natal de ambos. Solon não esqueceu a sua Bananeiras, onde faria chegar o trem “nem que seja por debaixo da terra” e, implantou o Patronato Vidal de Negreiros, uma escola federal de ensino agrícola, hoje um campus da nossa universidade. Foi obra sua a urbanização do curso do riacho Bananeiras, que corta a cidade, e para onde foram canalizadas as águas pluviais e os dejetos, um projeto de esgoto a céu aberto hoje muito condenado pelos ambientalistas.

O secretário geral do governo de Solon seria o professor Álvaro de Carvalho, seu colega docente do Instituto Bananeirense e, alguns anos à frente, sucessor de João Pessoa. Outros conterrâneos, também foram lembrados: Walfredo Guedes Pereira foi nomeado prefeito da capital; Alcides Bezerra, diretor da Instrução Pública e monsenhor Pedro Anísio, diretor do Liceu Paraibano. Como oficial de gabinete, Severino de Albuquerque Lucena sucedeu a Paulo Lucena, ambos filhos do presidente pois, em oligarquia que se preza, os filhos jamais serão esquecidos…

Nunca um governo estadual paraibano gozou de tanto prestígio junto aos altos escalões nacionais. Ao assumir, Solon já encontrou Epitácio Pessoa na chefia da nação e o nordeste fervilhando de engenheiros e planos de obras de combate à estiagem. Para a capital paraibana o governo investiria na construção do hoje chamado Porto do Capim. Graves acusações obscureceram a iniciativa. “Infelizmente, gastaram mais de vinte mil contos e deixaram em situação pior que antes dos “trabalhos”. Apenas umas estacadas ficaram sepultadas nas margens do Sanhauá, denunciando o esforço de um homem e desonestidade de uma época”, denuncia Apolo nio Nóbrega. No mesmo período foram construídos mais de mil quilômetros de estradas e concluída a ferrovia entre Borborema e Bananeiras, cujo túnel da Serra da Viração, consumiu dez anos de trabalhos.. Solon viveu o suficiente para ver, em 1925, o trem chegar à sua terra, já atingida pelos efeitos da praga que dizimou os cafezais. Morreria em 1926.

Em sua ultima mensagem à Assembléia, Solon de Lucena enumerou as obras realizadas no seu período de governo, destacando o projeto de saneamento da capital, a cargo do sanitarista Saturnino de Brito, obra entregue pelo presidente João Suassuna em janeiro de 1926. Foi do seu tempo a fundação do Banco do Estado da Paraíba. Esse símbolo da nossa pujança econômica seria abalado severamente por um inimigo até então desconhecido, o cerococus parahybenses, que aniquilou a produção cafeeira, então, uma das maiores riquezas do estado, principalmente nos campos brejeiros, cuja qualidade rivalizava com o melhor do país. O censo agrícola de 1920 registrava a existência de cerca de sete milhões e meio de pés de café. Somente Bananeiras contava mais de dois milhões. “Aproveitamos a classificação e o conhecimento do inseto, sem contudo, lograrmos um meio eficiente de combater à praga recal citrante”, lamentaria o governante e cafeicultor Sólon de Lucena.

Quem visita Bananeiras hoje, pode contemplar ainda a elegância das suas antigas construções, os sobrados e casarões que espelham uma época em que mandavam os Barões do Café. Pena que ao primeiro apito do trem, o café que se destinaria a Cabedelo houvesse desaparecido.

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