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DE MESTRE ESCOLA A PRESIDENTE

(27/05/2017)

Por Ramalho Leite

Os acontecimentos que culminaram com a chamada Revolução de 1930, na Paraíba, terminaram por erigir um panteão de muitos heróis. Alguns verdadeiros, outros, nem tanto. João Pessoa, ao sacrificar-se, legou à história sua bravura cívica e sua coragem moral. O seu sangue, misturado às lágrimas dos paraibanos, foi o combustível para as mudanças que os tenentes vinham pregando desde 1922. Mas hoje quero falar da Velha Repú ;blica. Logo identifico um bravo, meu patrono da APL que, com destemor, nas paginas do seu jornal enfrentou a arrogância do poder e não sucumbiu ao seu aceno. Refiro-me ao jornalista Artur Aquiles.

Um outro destaque, concedo a Solon Barbosa de Lucena. Apontado como um fraco pelos seus oponentes, certa feita salvou esta cidade de um incêndio sem precedentes, por um gesto de coragem inusitado. Todo o Varadouro ardia em chamas. Um depósito de dinamite que seria utilizada nas obras do porto ameaçava explodir. Os trabalhadores recuavam com medo de serem atingidos, mesmo estimulados pelo presidente Solon de Lucena, chamado às pressas ao local do sinistro. Inopinadamente, sem pedir que seu gesto fosse copiado, entrou no armazém em chamas e saiu sobraçando uma enorme caixa de dinamite. A partir da daí, a coragem dos demais aflorou e o comércio da cidade baixa foi salvo da destruição. &A acute;lvaro de Carvalho(vice de João Pessoa) conta que Solon nunca vangloriou-se desse feito.

Solon de Lucena era filho de Virgínio de Melo e de Amélia Barbosa de Lucena. Sua mãe, que tinha o mesmo nome da avó, era sobrinha de Henrique Pereira de Lucena que, por ter agilizado a tramitação da Lei Áurea quando presidia a Câmara dos Deputados, recebeu da Princesa Isabel o título de Barão de Lucena. Este, por sua vez, era tio de Epitácio Pessoa. Esse parentesco abriu as portas do sucesso para Solon tornando-o apto a participar da oligarquia epitacista. Por razões não explicitadas, a certa altura de sua juventude, quando cursava o quarto ano, Solon largou a faculdade de direito do Recife e veio militar na sua terra natal. Ali ajudou a fundar o famoso Instituto Bananeirense. Na qualidade de mestre-escola, inicia a sua carreia de homem público e, já em 1912, teve o seu nome incluído na chapa de deputados.

Nessa mesma legislatura foi eleito presidente da Assembléia e, nessa condição, assumiria pela primeira vez a gestão estadual. Para que sentasse na cadeira governamental foi preciso que o presidente Castro Pinto renunciasse ao seu mandato, entregando o governo ao coronel Antonio Pessoa, primeiro vice-presidente e irmão de Epitácio. Por motivos de saúde, agravados por sua insatisfação com a escolha de Camilo de Holanda para sucedê-lo, Antonio Pessoa retirou-se para sua fazendo em Natuba entregando ao deputado Solon de Lucena a presidência do Estado. O segundo vice-presidente Pedro Bandeira Cavalcanti preferiu continuar como juiz de Guarabira, visando alcançar o cargo de des embargador.

Na sucessão de Camilo de Holanda (1916/1920), o primeiro presidente da era epitacista, volta à tona o nome de Sólon de Lucena, desde 1917, exercendo o mandato de deputado federal e reeleito para novo período. Chegou à chefia do executivo paraibano com o apoio até da facção oposicionista do monsenhor Walfredo Leal, tendo como vices presidentes Flavio da Silva Maroja e João Batista Alves Pequeno. Solon chegou ao mais alto posto da administração estadual após ser eleito para </ font>um único mandato estadual e dois federais, entre 1912 e 1920. Antes, foi secretario geral da gestão de Camilo e diretor do Liceu Paraibano.

Homem simples e honrado, Sólon de Lucena foi “um orador imaginoso e possuía poderosa inteligência” na definição de Apolônio Nóbrega. Enfrentou dificuldades e morreu pobre, na sua Bananeiras, no ano de 1926. Teve uma carreira meteórica firmada na sua capacidade, mas também impulsionada pelo parentesco com Epitácio, a quem devotava fidelidade irrestrita. No grupo político epitacista viria a chefiar os chamados “jovens turcos& rdquo;. Conta Cunha Pedrosa, em suas memórias, que até 1912 Solon era um modesto professor em Bananeiras, onde fazia oposição à poderosa família Rocha. No governo de João Machado (1908/1912), como professor primário, recebia a irrisória importância de 50 mil reis por mês. Pedrosa registra que lhe conseguiu um aumento de 10 mil réis. De mestre escola chegou à presidência do Estado em apenas oito anos.

A fazenda Pedra D´Àgua também pertenceu a Solon de Lucena e, após sua morte, foi adquirida pelo seu compadre, coronel José Fausto da Costa Lira, o farmacêutico que inventou a “vacina de cuspe”. Mas essa é outra história que já contei antes.

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