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É O MEU JEITO DE CONTAR…

(12/04/2018)

Por Ramalho Leite

O jornalista Biu Ramos identifica na minha escrita um estilo próprio. E repete Machado de Assis: “o estilo é o homem”. O cronista Gonzaga Rodrigues me envaidece ao proclamar que lê tudo que eu escrevo e, sentencia que, eu sei conciliar “a veia humorística com o desempenho sério do cidadão e do homem público” e é esse “o tom que tem levado da vida para os seus livros”. Sou este homem que exerceu vários mandatos e cargos de relevância da administração pública, e que, para o historiador José Nunes, seria hoje, “um político concluído, que atua em outras frentes, principalmente nas artes e na cultura”. A minha trajetória de figur a pública levou-me à cena política, como protagonista ou coadjuvante, mas sempre ativista na defesa do bem comum. Transcrevo, sem a modéstia que me caracteriza, o perfil que me traça a generosidade de Juarez Farias, um brasileiro que veio encerrar sua brilhante carreira na terra que lhe serviu de berço, quando proclama que a minha “… performance de homem público, jornalista e escritor, inclinou-se nos últimos tempos, para o ilimitado e mais tranquilo trabalho de escrever, por que a idade já não esconde os cabelos brancos, as reflexões são mais demoradas que as ações, a luta política é demasiado impiedosa e a competição é cada vez mais intensa”. Por igual, em conceito comprometido pela amizade que vem do nossa região comum, o brejo, o ex-pr efeito, ex-deputado e atual conselheiro do TCE, Arnóbio Viana, me identifica como ‘um pesquisador infatigável, enredando pelos caminhos da história e notadamente do memorialismo. Perdeu a política ganhou a literatura’. Incentivado por esses julgamentos, terminei por ousar e fui em busca da imortalidade. Para tanto, fui entronizado na cadeira 07, da Academia Paraibana de Letras cujo patrono é o jornalista Artur Achilles. Por outro lado, passei a ocupar a cadeira de número 45 do Instituto Histórico Paraibano, que tem como patrono o ex-governante paraibano Osvaldo Trigueiro de Albuquerque Mello. Em ambas as cadeiras, sucedi a Dorgival Terceiro Neto, jornalista, advogado, prefeito, governador e sobretudo, meu amigo. Essa imortalidade acadêmica não seria física. Há, na APL, uma extensa galeria de imortais que já morreram. Olavo Bilac dizia que chamavam os acadêmicos de imortais, “porque não têm onde cair mortos”. Para eles a ABL erigiu um suntuoso mausoléu. A nossa Academia nos deve isso.

Produto da minha experiência na vida pública, do esforço da memória que ainda não começou a falhar, do gosto pela história e, pelo prazer da pesquisa, é o presente trabalho que denominei A HISTÓRIA COMO EU CONTO. Em outra publicações do gênero, inseri alguns textos da nossa história e resgatei figuras emblemática de um época em que imperava o vontade dos coronéis e esses, por conta do seu poder econômico e força política eram transformados em condecorados da Corte Imperial. De coronel da Guarda Nacional para o Baronato era só uma questão de preço, aferido em moeda corrente ou, em serviço prestado, a exemplo do Barão de Lucena, presidente da Assembleia Geral sob a regência da Princesa Isabel, que, por ter agilizado a votação da L ei Aurea foi contemplado com o título.

Neste livro, constam no primeiro capítulo mais de sessenta textos, todos com fatos históricos a permear, a maioria alicerçados em notícias de jornais antigos, cujos registros transcrevi mantendo a grafia da época. Demorei-me em acontecimentos da nossa Parahyba, antes, durante e depois de 1930, data emblemática da nossa história. Resgatei a saga dos “jovens turcos” seguidores da oligarquia epitacista, mas desejosos de fazer surgir novos nomes para substituir os políticos paraibanos herdados da Monarquia ou nascidos com a República, como era o caso de Epitácio Pessoa. Demorei-me em apreciar a passagem pela história do político Solon Barbosa de Lucena, de cuja descendência mais ilustre, surgiu o neto Humberto Lucena, que chegou à Nova República como ator influente e encerrou seus passos sob a &eacut e;gide da Constituição Cidadã nascida em 1988. A saga de João Pessoa e o seu enfrentamento aos políticos que eram amigos de seu tio Epitácio e que, foram, aos poucos, sendo afastados do poder, culminou com a ruidosa Guerra de Princesa e a sua morte pelas mãos de um adversário político. Essa história já foi contada e muito bem contada por inúmeros autores. Faço, apenas, um breve histórico de como esses acontecimentos da terrinha repercutiram no restante do País.

Como personagens desse livro, surge Pedro II em excursão pela Parahyba em uma véspera do Natal. Um padre que ficou famoso com um único discurso, contendo críticas à obra do mestre Ibiapina; um farmacêutico autodidata que inventou uma vacina de cuspe e ganhou manchete nacional; o fundador da República consagrado na nossa primeira Constituição; a chegada da notícia da implantação do novo regime, entre nós, sem encontrar qualquer republicano para recebe-la; o nosso primeiro governador indicado por militares e o nosso último Presidente eleito na República Velha e, ainda, a irreverencia de conhecido locutor transmitindo um banquete no Palácio do Governo; por inusitado, encontraremos aqui a notícia do único governador que se recusou a jurar a Constituição do seu Estado.

No segundo capítulo, inseri assuntos os mais diversos, ditos da tribuna. São pequenos discursos em alguns grandes acontecimentos, como a posse de um governador ou de um presidente do TCE e de um novo membro do IHGPB.

Não me considero um historiador. Os fatos que trago enfeixados neste compendio são mais uma notícia histórica, sem preocupação com o contexto sociológico ou as circunstâncias que cercaram ou justificaram os fatos objeto dos meus textos. Sou um contador de histórias e da história, prefiro o pitoresco, o burlesco, o inusitado. É o meu jeito de contar …(Abertura do livro A HISTÓRIA COMO EU CONTO)

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