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‘Na defesa da democracia, vamos tocar fogo na rua’, diz Ciro

(13/09/2019)
‘Na defesa da democracia, vamos tocar fogo na rua’, diz Ciro ‘Na defesa da democracia, vamos tocar fogo na rua’, diz Ciro

Ciro Gomes (PDT) não foi a Paris no segundo turno das eleições de 2018. “Na verdade, fui fazer uma viagem a Portugal, porque saí de Fortaleza. É a passagem mais barata, classe econômica”, explica.

Em entrevista à BBC News Brasil, o ex-ministro, que concorreu contra Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT) na disputa pela Presidência, diz não se arrepender de sair do Brasil durante o pleito, decisão que ainda o persegue nas redes sociais. Nos comentários a seus posts, é fácil encontrar um “mas você não estava em Paris?”.

Não havia razão para ficar, argumenta Ciro, que fez 12% dos votos no primeiro turno, contra 29% de Haddad.

Para ele, a derrota do petista era iminente e seu apoio não faria diferença alguma, o que teria ficado claro na análise dos números. Ele afirma que também não se arrepende de não ter apoiado Haddad, mesmo dizendo que o governo de Bolsonaro é muito pior do que imaginava.

“O Haddad, na minha opinião, sendo uma boa pessoa, entrou nisso como consequência de uma grande fraude que estava perdida de véspera. Pouco importa que atitude eu tomasse, a grande força dominante no debate brasileiro era o antipetismo.”

O pedetista diz também que não vê Bolsonaro como uma ameaça à democracia, mas um destruidor das tradições republicanas do país.

Cobra, no entanto, um posicionamento mais claro do presidente em relação às declarações do seu filho, Carlos Bolsonaro, a quem o ex-candidato à Presidência chama de “percevejo” e que, esta semana, foi alvo de críticas depois de publicar nas redes sociais que “a transformação que o Brasil quer não acontecerá na velocidade almejada pelas vias democráticas”.

“Estou pedindo que o Bolsonaro fale claramente sobre isso, porque esse menininho [Carlos] é um percevejo, é irrelevante”, diz.

“Agora, se é isso que pensa o Bolsonaro, a gente precisa dizer com clareza para ele que a imoralidade do PT nos divide, a agenda de costumes tosca nos divide, mas na defesa da democracia nós vamos tocar fogo na rua, fique seu Bolsonaro sabendo. Ele que não avance na direção disso, porque a minha geração sabe o que custou retomar a democracia e ele se elegeu por conta de democracia”, continua Gomes, que afirma já estar em campanha para 2022.

“O que eu quero ser está dito, já tentei ser três vezes. E meu partido quer que eu seja e eu topo ser.”

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