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NASCENDO EM PLENA GUERRA À MARGEM DA LINHA DO TREM

(04/10/2018)

Por Ramalho Leite

O doloroso e frustrado primeiro parto de minha mãe, não prejudicou sua capacidade de gerar filhos. A perda de Tereza Newman ao nascer, não impediu que mais oito filhos viessem ao mundo, sendo eu o primeiro deles. Antes da sua última viagem ao Recife levando, enfermo, o alemão Guilherme Groth para o aconchego dos seus filhos, meu pai fez várias viagens em sua companhia para fazer compras. Em uma delas, o alemão levou meu pai a uma choperia, quando foram abordados por um policial. De corpo raquítico e com pouca idade, meu pai foi confundido com um menor, aos quais sempre foi proibido vender bebidas alcoólicas. E o alemão foi admoestado: como pai, deveria d ar o exemplo e não beber na companhia do filho menor – disse o policial. Mostrados os documentos, desfez-se o equívoco.

Meu pai ficara traumatizado com o infeliz resultado da primeira gestação de minha mãe. Agora ela esperava outro filho. Ao passar, de trem, pela estação de Paudalho, em Pernambuco, onde existe um santuário dedicado a São Severino, avistando a igreja onde repousa uma imagem em corpo inteiro do soldado romano, meu pai prometeu: caso o filho a nascer fosse uma menina, seria chamada Severina. Sendo homem, por Severino seria batizado. Na promessa estava incluída uma visita ao santuário levando o filho nascido a tiracolo. Tem gente que promete levar a criança despida à presença do santo. Meu pai não chegou a tanto, do contrário, por razões óbvias, não cum priria a promessa em sua totalidade: somente aos vinte e sete anos fui levado à presença do meu patrono…

Em Camucá existiam duas parteiras, dona Adá e Mãe Luiza, como eram conhecidas. Mãe Luiza fez os partos de minha mãe nos nascimentos de quase todos os meus irmãos, exceção das duas últimas, nascidas na maternidade de Bananeiras. Era seis de outubro de 1943, pelas nove horas da manhã, quando abri os olhos ao mundo, no distrito de Camucá, que assim seria chamado até a edição do Decreto-lei 520, de 31 de dezembro de 1943.

“Na Vila encontra-se a queda d’água da Canafístula, movimentando a usina elétrica que fornece energia e luz à vila, à vila de Solânea e às cidades de Serraria e Bananeiras. É servida de estação ferroviária, por agencia postal e por duas escolas públicas primárias que tiveram 160 matriculados em 1942 e uma frequência média de 102. Segundo o recenseamento de 1940, tem a vila 312 prédios urbanos, 8 suburbanos, 1.750 rurais e a população urbana, 1.262 habitantes; suburbana 87 e rural, 3.419,”

O registro é de Coriolando de Medeiros in Dicionário Corográfico da Paraíba. Hoje, a população do município alcança um pouco mais que isso. (5.111 habitantes). A casa onde nasci, na antiga rua Amazonas – hoje avenida Barôncio Lucena nº 40- fica à margem da ferrovia. Pelos trilhos da Great Western passava diariamente o trem que vinha de Cabedelo até Bananeiras. Seu apito, foi o segundo barulho mais agudo que ouvi. O primeiro foi o grito da parteira Mãe Luiza: é homem!

Nasci em um mundo convulsionado pela guerra. Naquele dia, os jornais noticiavam o movimento das tropas aliadas no teatro de operações. O jornal A União dava como iminente a invasão aos Balkans. As forças anglo-norte-americanas preparavam-se para invadir as costas balcânicas e estavam dispostas a atravessar o Mar Adriático. Isso seria facilitado pelos guerrilheiros do general Tito que controlavam grande parte da costa iugoslava. O mesmo noticiário informava que tropas alemãs sediadas na Grécia haviam sido derrotadas por guerrilheiros da zona portuária e obrigadas a recuar oito quilômetros. A 140 km de Roma, era fraca a resistência alem&at ilde;. A segunda grande guerra caminhava para seu final, com a vitória aliada, mas milhares de mortes ainda seriam lamentadas. ( do meu livro, em formação, ERA O QUE TINHA A DIZER)

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