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SEM VELA NA MÃO

(29/11/2014)

Por Ramalho Leite

ramalholeitepequenaAntigamente só se morria de vela na mão. Eu tinha uns nove anos e passava em frente à casa do dr.José Amancio, o construtor da Vila de Camucá, na direção da casa dos meus avós que moravam duas casas adiante. Alguém veio até a porta da frente e gritou:

– Tragam uma vela, dr.Zé Amancio tá morrendo!

Eu sabia que minha vó Natália guardara no seu oratório, entre os santos de sua devoção, a vela que eu conduzira na minha primeira comunhão. Corri, peguei a vela, tirei os enfeites que enrolavam a cera branca e entreguei na casa do homem mais ilustre da terra. Com a minha vela nas mãos, ele ganhava luz para a sua ultima caminhada.

Não é sem razão que a canção proclama: “quando eu morrer/não quero choro nem vela/quero uma fita amarela/gravado com o nome dela”…

Meu saudoso amigo Orlando Almeida, que chegou a agredir um aparelho de televisão no Bar do Miúra, enraivecido com a crítica aos fumantes feita ao vivo e a cores por Boris Casoy, costumava dizer aos que reclamavam do seu vício:

– Já avisei lá em casa, quando eu morrer, ao invés de vela, quero um cigarro aceso na minha mão.

Nem quando estava hospitalizado em São Paulo, Orlando largou o cigarro. Proibido de fumar, conseguiu ser levado em uma cama sobre rodas até o quarto do seu companheiro de suplício, Ronaldo Cunha Lima, de quem era adversário, mas sempre se mantivera amigo. Ao chegar foi logo dizendo:

– Não pense que venho apenas lhe visitar. Consegui fugir para fumar um cigarrinho. Sei que você também não larga esse companheiro. E fumaram juntos, colocando em dia as noticias da querida Campina.

Depois que ninguém mais morre em casa, a vela caiu em desuso. E até nos velórios, dão um tempo para acender as velas. O de cujus ficara em balão de oxigênio, avisam, pode haver incêndio. Daí surgiram as velas elétricas com que as mortuárias cercam o ataúde.

Pena que o filho de Orlando não tenha sido reeleito. Neto de Argemiro de Figueiredo e de Elpidio de Almeida, dois grandes da história política de Campina Grande, Guilherme Almeida fizera um bom mandato. Da descendência de Argemiro, resta com mandato Veneziano Vital do Rego pois o senador Vital está se despedindo para repetir outra historia. Vai seguir o exemplo de José Américo e João Agripino, e trocar a política pelo Tribunal de Contas da União. Ganha emprego vitalício e com muitos méritos para tal.

Da descendência de Elpidio, filho de Silvia Almeida e de Cassio, foi eleito Pedro de Oliveira Cunha Lima. Interessante notar que desde a Republica Velha aos dias atuais, a política de Campina provém do mesmo tronco familiar. Mas isso é história a ser contada por Josué Silvestre.

E eis que, quando pensavam que ele estava morto para a política, mesmo sem vela na mão, ressurge das cinzas, qual uma fênix, o senador Raimundo Lira, catapultado de volta ao Senado pela vaga decorrente da ascensão de Vital do Rego ao cargo de Ministro do TCU. Lira anunciou que só falará depois que o fato for consumado. Por certo vai repetir o que disse à imprensa quando eleito senador: “Melhor do isso, só dois isso!”

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