prefeitura
::MDR se pronuncia e explica falta de bombeamento no eixo leste da Transposição ::Prazo de cadastro de servidores do Estado termina dia 30 ::Nova lei beneficia portador de HIV em programas habitacionais da PB ::Grupo de dança Nativos de Umbuzeiro faz grande apresentação na UEPB de Monteiro ::TCE-PB reprova contas de três prefeituras ::Prazo para pagamento do IPTU 2019 com desconto se encerra nesta sexta-feira ::Prefeita de Monteiro entrega reforma e modernização do açougue público ::Prefeitura de Sumé investe em segurança e saúde nas festas juninas ::Moro diz não ter nada a esconder e que mensagens podem ter sido alteradas ::Secretária de Saúde de Prata aciona vereador Bobô na Justiça Malves Supermercados

UMA “VELHA SENHORA” JOVIAL

(08/02/2016)

Por Ramalho Leite

ramalholeitepequena1Era uma quinta feira, 2 de fevereiro do ano de 1893, quando o Partido Republicano do Estado da Parahyba fez circular a primeira edição de A União. Na capa, os editores pediam aos seus leitores, “o obsequio de devolvel-o á respectiva typographia” no prazo de três dias. Não explicaram o motivo para essa restituição, mas o Walter Galvão, hoje diretor desta folha, acredita que se tratava de uma pesquisa para avaliar o alcance do periódico.

Na edição inaugural, o novo órgão de imprensa traçava o seu perfil, e se identificava como veículo político-partidário, disposto a defender a agremiação e seus integrantes.
O jornal e o partido eram um só corpo e um só espírito. Por isso, se dirigiu ao publico leitor “não para anunciar qualquer nova transformação mas para configurar os motivos de sua origem, as formulas que condensaram os seus primeiros pensamentos,suas aspirações, no começo vagas,depois francamente definidas e encorpadas aos caracteres que dirigiam o movimento.A única modificação que lhe anunciamos, é a creação d´esta folha, poderoso meio externo da cohesão e disciplina partidária.Iremos á luz da imprensa, visitar os arrayaes de nossos amigos, e crear-lhes um centro de intelligencia, e de conselho.
Iremos a mesma luz prestar nossa decidida cooperação ao illustre administrador do estado, o exm.sr.dr. Alvaro Lopes Machado. O nosso apoio igualmente ilimitado, e sem nenhuma reserva extenderemos ao benemérito governo da União, e ao glorioso chefe da Republica, Sr. marechal Floriano Peixoto”.

Da pia batismal aos dias de hoje, a linha editorial deste jornal permanece a mesma. Mudam os governos, mas sua fidelidade, jamais. A única mudança foi a oficialização dessa lealdade. Em determinado momento, o jornal do Partido tornou-se o jornal do Governo. A União publicaria além do noticiário palaciano, os atos emanados da administração pública. O Diário Oficial, em separado, é obra mais recente. O modelo serviu até para enriquecer nosso folclore político. Zé Américo, no Piancó, definiu o político Antonio Montenegro: “é mais fiel ao Governo que o chumbo do diário oficial”.
Na minha irreverência já conhecida, prefiro dizer que A União “é o órgão mais independente que conheço: é do governo e não nega”.

No primeiro número do periódico, temos conhecimento de que, naquele ano de 1893 era Chefe de Polícia da Paraíba o dr. Antonio Ferreira Baltar; seu irmão, de nome Abílio Ferreira Baltar, nomeado Fiscal, realiza a primeira extração da Loteria, à época, uma concessão particular entregue a um felizardo chamado Bernardino Lopes Alheiros. O primeiro delegado da Capital era Francisco Chateaubriand Bandeira de Mello. O Assis, do mesmo sobrenome e criador dos Diários Associados, tinha, então, um ano de idade.
Naqueles dias, por emissão de notas falsas, foram presos dois diretores de bancos nacionais; “as notas falsas do Banco Emissor de Pernambuco se distinguem pela imperfeição do mau papel”; o ministro da Fazenda manda que se recebam as notas do Banco Emissor, tidas como verdadeiras, até que sejam substituídas pelo Banco da República; é nomeado um novo diretor para o Banco da República, o Sr. Tomaz Coelho; o governador do Rio de Janeiro sanciona lei que transfere a sua Capital para a cidade de Theresópolis; morre a esposa do ministro da Guerra.

A denominação do jornal deve-se à união dos próceres dos velhos partidos, ao novo Partido Republicano comandado por Álvaro Machado. “No intuito de justificar o nome desta folha” foi relatada com detalhes a reunião de criação do novo partido realizada no Palácio do Governo, quando “duas ordens de cadeiras foram insuficientes para acomodar os convidados”. Foi designada uma comissão provisória para comandá-lo, eleita, democraticamente, entre os presentes ao evento.

O governador Álvaro Machado asseverou “que não tinha vindo a Paraíba se não para reconstruir o que fora demolido e por em ordem o que fora desorganizado”. No campo partidário desejava juntar os bons elementos de outros partidos e “fundi-los em um só, compacto e disciplinado”. A votação, apurada entre outros por Artur Aquiles e Tomaz Mindelo, proclamou como escolhidos para a primeira diretoria do Partido Republicano os srs Diogo Sobrinho,Eugenio Toscano,Gama e Melo,Moreira Lima e José Evaristo, os mais votados.Os srs Targino Neves e Cunha Lima, de Bananeiras e Areia, respectivamente, ficaram na suplência juntamente com outros nomes de rua menos votados.

E encerra sua narrativa o jornal A União: “Servido em seguida um agradável copo de cerveja, retiraram-se os convidados plenamente satisfeitos, não só quanto ao cavalheirismo de trato do honrado governador, como em relação à phase de verdadeira actividade política, iniciada por tão solene reunião”. Estava fundado o Partido Republicano do Estado da Parahyba e o seu porta-voz, A União.

Esta semana A União entrou na era de informática, inaugurou sítio e um sistema on-line de envio de matéria para a publicação no Diário Oficial. A Velha Senhora de 123 anos está cada dia mais jovem e dinâmica, sob o comando de uma equipe que se desdobra para oferecer seus melhores serviços à Parahyba do Norte. Parabéns !( Nas transcrições mantive a grafia da época).

Faça seu comentário



Possui atualmente : Nenhum comentário em UMA “VELHA SENHORA” JOVIAL